Montadores de quebra-cabeças de apartamento.

Um pequeno ensaio-desabafo sobre a vocação, ou a falta de, da nossa geração. 

sitting, waiting, wishing.

dei motivos para todo mundo dar play na série “Girls”, mas faltou um: o quanto ela faz pensar. No season finale foram tantas coisas que quase me senti constrangida por ser tão representada numa série de TV. Me senti contrangida pela exposição até da própria autora – coisa boba, afinal quem diz que a gente só escreve sobre coisas pelas quais a gente passou? Pois eu vou escrever sobre uma coisa minha, e não tem problema se você não sabe nada sobre a série.

A gente geralmente só entende e compreende o que tinha quando perde, mas e quando o que você tem nas mãos é apenas uma oportunidade, uma possibilidade, um “e se”? Assim como a personagem da televisão e como 99% das pessoas que conheço, só paro pra pensar a respeito quando vejo casos de sucesso ao meu lado e me questiono o que eu fiquei fazendo para não agarrar as oportunidades que me apareceram com força. Ou pior, e quando você não enxerga absolutamente nada como uma oportunidade? Estaria você amaldiçoada? O mundo não te quer feliz? Puxa, coitada, que dó. Bem, é essa a questão.

Quando temos possibilidades na mão, ainda não temos um “não” propriamente dito. Temos portas e janelas que podem até se fechar com a brisa, mas podem se escancarar com uma mudança no tempo. Mesmo sabendo disso, o medo de se arriscar às vezes é tão grande que começa a se tornar medo do fracasso sem nem ao menos ter tentado.

Vamos supor que você saiba qual é seu maior desejo e que ele seja se tornar um montador de quebra-cabeças profissional. Por mais que no seu “íntimo” você tente levar essa paixão em paralelo, o mínimo ato de praticar montar quebra-cabeças por diversão pode se tornar a expressão do seu insucesso. Afinal, na sua cabeça você poderia estar montanbdo quebra-cabeças no torneio internacional de Viena e não no chão da sala do seu apartamento, depois de ter feito hora extra no trabalho. A simples ação de pegar a caixa do quebra-cabeças amontoada num canto escondido do seu armário já aponta na sua cara o quão inútil você é por não estar montando quebra-cabeças em outro país, como sempre quis ou imaginou que seria quando estivesse com uma certa idade.

Quem já ouviu que precisa trabalhar no marketing pessoal mais de uma vez se vê encalacrado num beco sem saída, pois nunca há um olheiro de montador de quebra-cabeças dando sopa na rua, especialmente se você tiver abandonado aquele seu hobbie de montar quebra-cabeças em praça pública. Dentro de seu apartamento, quem vai te encontrar? E será que alguém tem que te encontrar? Será que não é uma expectativa besta fazer algo para ser encontrado ao invés de dar uma mãozinha pra si mesmo? …

Enquanto isso, você aprende a se dar prazer. Você se mima todo para encobrir essa sensação de grande fracasso ambulante, de casca de ferida cheia de pus prestes a explodir. Você faz um day spa, redecora a casa, troca o sofá de lugar todo mês e faz questão de se dar pequenos & grandes mimos. Compras, viagens, e aquela academia cara que você paga e nunca tem vontade de ir, afinal que vontade você tem, não é mesmo?

Só que olha, não é por mal. No fundo a gente pensa: “se eu não fizer isso por mim, quem mais vai fazer?” – e lá se vão algumas realidade$$ gastas num investimento sem retorno. Daí a ironia é bem grande quando pinga no seu e-mail uma divulgação sobre um workshop com “o melhor montador de quebra-cabeças do mundo” e você simplesmente não tem dinheiro para ir, ou forças para ir, já que está gastando todo o seu tempo com auto-bajulação e se distraindo do medo e do fracasso constante que sente por simplesmente não conseguir nem tentar.

Taí um desabafo, daqueles bem difíceis de serem feitos, já que a maioria das pessoas que o ouve faz questão de dizer: “tenha coragem e vá! Você pode, você consegue” e qualquer outra babaquice otimista. Isso a gente já sabe, eu já sei. A questão aqui é simplesmente não ter coragem. Não acreditar. Quando a gente tem a impressão de que algo já deveria ter caído em nosso colo faz tempo, é mais difícil ainda admitir que o problema pode ser apenas você. Ao mesmo tempo que pode ser fácil de resolver, pode custar simplesmente uma vida inteira frustrada.

Como sempre, sou guiada pelo desejo de compartilhar e de ajudar, pois acho que fui ajudada, ou jamais estaria aqui escrevendo. Se Lena Dunham foi lá, lançou um filme e depois convenceu os produtores da HBO que merecia uma série e sua mensagem chegou até aqui, na minha porta, talvez escrever este texto também possa fazer algo por alguém.

Como já ouvi em minha falecida análise, “você tem sido assim, pode passar a ser diferente”. Talvez.

ps: mais ou menos sobre o tema, mas numa perspectiva um pouco mais otimista e “trabalhista”, vale dar o play nesse estudo da Box 1824.

Pare de procrastinar HOJE

Já que hoje é segunda, dia universal da preguiça e do regime, posto aqui mais um item do tipo “feito pra mim”, pessoa que não consegue lidar nem com os projetos superbacanas que inventa para si mesma:

.

Pode me dizer que o calendário com alarme do celular ou uma agenda dão conta do recado, mas esse planejador semanal  de papel berrando “PARE DE PROCRASTINAR HOJE” tem aquele efeito chocante que faz toda a diferença quando deixado em cima da sua mesa, ao alcance de suas pupilas preguiçosas.

50 folhas desta belezinha de papelaria custam R$10,95 na Moderne Motive.

.

ps: para quem estranhou, sentiu falta ou nem percebeu, aviso logo: realmente não fiz “imagens” porque o tempo me sugou todinha essa semana, ui!. Faço uma compilação bonita nesta quinta. 8)

.

Cinema é de família: conheça Gia Coppola

Gia Coppola, por Lauren Dukoff para a “Nylon”

Neta de Francis Ford Coppola e sobrinha de Sofia Coppola, adivinha qual a carreira que Gia resolveu seguir? A de cineasta, é claro. A sortuda deve ter convivido com a sétima arte desde criança e já dirigiu um curta-metragem, “Non Plus One”.

Acabei de conhecer o trabalho dela, e vi uma baita inspiração na obra da tia, que dirigiu “Encontros e Desencontros”, “Maria Antonieta” e outros, filmes marcados pela sensibilidade, pelo cuidado especial dado à direção de arte e, porque não, pela própria feminilidade, sem necessariamente se tratarem de temas femininos.

Gia Coppola dirigiu este curta para a marca Target para apresentar a nova linha de Zac Posen. No vídeo, as garotas da banda The Like se preparam num camarim e depois seguem para a apresentação da música “Fair Game”.

O som das meninas lembra muito o de bandas como Au Revoir Simone e The Bird And The Bee: tudo com aquela pegadinha indie e um estilo retrô que, pessoalmente, adoro.
.


.

Pode roubar essa maquiagem e esses cabelos? Esse meio preso com franja e raíz alta entrou para a wishlist da minha vida.

via Criativa

Em 2009, eu quero…

Eu disse no post passado que voltaria contando minhas resoluções de ano novo, lista que eu já faço religiosamente há pelo menos uns 5 anos. O caso é que eu refleti um pouco e mudei de idéia a respeito de “fazer” resoluções. Para 2009, resolvi resumir minha lista de “desejos e afins” para três pontos simples, mas que me exigirão um esforcinho diário para cumprí-los.

Masss… Recebi um meme da Thaís, para contar as 9 coisas que quero para 2009. Como minhas resoluções de ano novo quase nunca incluíam bens materiais, mas sim novas atitudes (tipo, “ser mais confiante e menos ansiosa”), resolvi fazer o meme falando de coisas mais terrenas e depois conto quais são meus três quesitos fundamentais para a “Fernanda 2.0 ano 2009”.