“Mad Max”: um filme de som e Furiosa

Careca, mutilado, piloto de primeira, comandante da expedição. Esta poderia ser a descrição de qualquer bom soldado num filme de guerra, mas é a descrição de Furiosa, a personagem de Charlize Theron que rouba a cena em “Mad Max: Estrada da Fúria”. Não apenas uma mulher por pura coincidência, mas uma mulher com M maiúsculo. Feita, madura, em personalidade, erros e acertos. E sem cabelos: porque ela provavelmente decidiu que não precisava deles.

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Furiosa: para guardar na memória

Depois de dias intensos com a internet discutindo por que o marketing da Marvel não aprova produtos com a Viúva Negra ou por que atores entendem que é “ok” fazer uma brincadeirinha de mal gosto com uma personagem fictícia, todo esse entorno tosco de “Os Vingadores 2” soa pueril perto da força dessa mulher aí, de braço mecânico e capaz de deixar até herói com pipi no uniforme. O Max? Sim, ele também está lá e num Tom Hardy que vai muito bem, obrigado. Mas, se o filme fosse uma comédia, ele seria a escada para as melhores piadas.

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Jungle: a banda que você precisa ouvir – e ver só se quiser

Imagem, superexposição, mais imagem. Vídeos. Virais. Imagem. Imagem é tudo para quase todas as áreas do entretenimento atual, até mesmo para a música que, coitada, vive uma repetição de clichês e personalidades sonoras simplesmente porque vende bem. É quase um dilema “tostines”: a imagem é importante para vender mais ou vende mais porque a imagem é super explorada? Dois amigos de infância resolveram quebrar este paradigma e esta semana deram um rasante pelo Brasil mostrando no palco o que descobriram.

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J. e T.: sucesso sem fama

Jungle é a banda formada pela dupla J. e T. (ou mais precisamente Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland) e por mais 5 integrantes que fazem a magia soul-funk-eletrônica acontecer no palco. Vi de perto o show em São Paulo esta semana e me encantei com o trabalho dos vizinhos de porta de Londres que esconderam sua identidade por algum tempo.

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a Jungle completa

Acontece que J. e T. quiseram começar um experimento e tanto em 2013: mostrar que a música pode sim funcionar por si só e não ficar na dependência da personalidade de um frontman. Por isso mesmo, os rapazes conseguiram se manter misteriosos por algum tempo, mesmo com as visualizações de seus clipes passando da casa dos 6 dígitos.

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Testei: esmaltes Bioemotion da Polishop

Pode inventar nail bar, esmalteria, máquina de pintar a unha, o que for: acho que dificilmente algum serviço vai conseguir me conquistar a ponto de eu sair de casa só para cuidar das unhas. Dito isso, eu me resolvo em casa e estou sempre atrás de produtos que facilitem o fato de eu só ter uma mão direita para a tarefa.

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eu tenho duas patas e também faço – ok!

Holy Burger: hambúrguer para comer rezando no centro de SP

Para ver tudo o que já contei nesta tag, clique aqui.

Eu adoro hambúrguer. Eu como hambúrguer frequentemente. Eu também confesso que embarquei no hype do sanduíche em São Paulo e por isso também já gastei dinheiro à toa, comendo porcaria que não valia um tostão furado ou era absolutamente supervalorizada. Dito isso, vem o alívio: nem tudo está perdido. O Holy Burger é dessas novidades que valem a pena. E, já aviso, tem preço justíssimo.

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50 Tons de Cinza: 125 minutos para tentar consertar um livro que nasceu errado

Espera, teasers, trailers, cenas vazadas, mas o que prevíamos aconteceu: “50 Tons de Cinza” não é um filme bom. Para as fãs do livro, também não chega a ser ruim, digamos. É tão sutil que não chega perto do estrondoso sucesso causado pelo livro. Livro este que, vamos lá, é bastante “esquecível”, não fossem as cenas de sexo que prendem o leitor na sacanagem e o motivam numa espécie de leitura dinâmica até o próximo encontro.

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– Voltei, mores

Mas vamos ao filme. A trilha sonora é excelente, a direção de arte impecável, há o dinheiro que a inspiração “Crepúsculo” não teve em seu primeiro lançamento e dois atores que souberam segurar a bronca de um roteiro raso e cheio de textos sacais. “Eu não faço amor, eu fodo”: no livro, uma delícia, no cinema, recebido por risadas num cinema lotado de mulheres na meia idade.

o casting

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Falaram que a gente não tem química. Cê acha?

Jamie Dornan faz um esforço hercúleo para dar vida a este homem doentio e perturbado. Ele tem bons cacoetes, olhares muito interessantes, um andar leve com mãos pesadas, mas nada que faça o texto soar mais verossímil, meus caros. E ele é lindo. Mesmo. Tão lindo que infelizmente uma boa parte do público compraria seu trabalho só pela beleza e pelo tanquinho exibido constantemente na tela. Ah, e também pela bundinha, que dá o ar de sua graça por uns 3 segundos e causou gritinhos (altos).

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“Life is strange”: um jogo embrulhado para presente

Não é impressão sua, não é engano da garotinha fã de quadrinhos, nem implicância das mulheres do mundo do entretenimento: aparentemente, em pleno 2015, somos frequentemente esquecidas de papeis de destaque ou não somos vistas como interessantes o suficiente para mover uma história.

No Globo de Ouro, a questão veio à tona mais uma vez quando Amy Poehler e Tina Fey deram aquela cutucadinha básica no mercado e comentaram que um dos únicos papeis interessantes para mulheres mais velhas foi o da premiada Patricia Arquette em “Boyhood”. E as duas não estão erradas em causar essa “saia justa” em frente aos poderosos da indústria: uma pesquisa da Universidade de San Diego deixa bem claro o quanto a catraca de Hollywood não está virando para as mulheres, mesmo com filmes bem-sucedidos tendo elas (nós) como protagonistas. Exemplos rápidos: “Jogos Vorazes”, “Malévola” e o fenômeno “Frozen”.

No mundo dos games, a situação começa a ficar (ainda mais) periclitante. Apesar de já sermos, só no Brasil, pelo menos 47% do público gamer, não há um dia sequer em que eu não leia o relato de alguma garota que sofreu algum tipo de preconceito simplesmente por querer jogar e se divertir. Ou seja: além de não sermos representadas e de não termos praticamente nenhum marketing voltado para nós, ainda somos alvo de críticas e objetificações o tempo todo.

Dito isso, quando me sentei para jogar o primeiro episódio de “Life Is Strange” no último sábado me senti aliviada. Até presenteada, para ser mais exata.

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Produzido pela Square Enix, mesmo estúdio responsável por “Tomb Raider”, o jogo “Life is Strange” vem dividido por episódios e conta a história de uma adolescente chamada Max. Depois de mudar de cidade e escola para abraçar sua paixão pela fotografia, a garota acaba enfrentando uma série de dificuldades para se enturmar e arranja confusões compulsoriamente por onde passa.

Num desses momentos, ela descobre a improvável habilidade de manipular o tempo e de, portanto, fazer novas escolhas. Seus “poderes” especiais permitem que ela dê a volta por cima, seja herói por um dia (ou vários) e tente descobrir um mistério ao lado de sua melhor amiga da infância.

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